Será no fim de Novembro, ou princípio de Dezembro que um livro sobre o swing será publicado finalmente em Portugal com o título de "SWING".
Espero que o livro agrade à comunidade swinger, e que ilucide quem a ela pretende aderir.
Se ele esclarecer aqueles que opinam sem saber do que falam, melhor ainda.
Transcrevo aqui o prefácio para deixar uma noção do que o livro contém e das questões que aborda. Além destas e de outras questões, relata a experiência de um casal que opta pelo swing como estilo de vida, e se depara com novos desafios, novas aventuras e descobertas.
"O swing – nem sempre assim designado – é uma forma de actividade sexual que a humanidade conhece desde o princípio dos tempos. Talvez tenha sido primeiro relatada no Antigo Testamento (Êxodo 32), quando Moisés desce do Monte Sinai, com os dez mandamentos, e se depara com uma enorme orgia.
O facto é que esta nova moral do amor é uma realidade sociológica de importância, com milhões de adeptos em todo o mundo, tornando-se por isso um assunto incontornável. Será uma audácia falar nele; escandaloso seria ignora-lo.
A comunidade swinger pode ser uma sociedade paralela, mas não é uma sociedade obscura. Dela fazem parte advogados, importantes quadros de empresas, gente do desporto, detentores de cargos públicos, músicos, o seu dentista, a professora do seu filho ou até um antigo presidente duma grande potência. Não é certamente uma sociedade às avessas, onde os valores sociais se extinguem, eles existem, só que colmatados e equilibrados por outros valores de ordem sexual e uma diferente moral.
Se este estilo de vida, como é afirmado, propicia aos seus praticantes um intensificar da união, o enriquecimento das suas vidas e uma maior felicidade, então será algo a que devemos olhar mais atentamente. Se esta é uma solução para combater o casamento que institucionaliza a ideologia burguesa de segurança nulificadora da vida emocional das pessoas e torna a vivência uma mesmice, então, esta é uma solução digna da nossa reflexão Mesmo que cheguemos à conclusão que para nós não serve. Pois se pecado existe... é o pecado da ignorância.
Não pretendo com este livro fazer a apologia do swing como estilo de vida. Não digo que deva, ou possa ser adaptado por todos os casais; só a poucos fará bem, mas a esses, fará muito bem. Para outros será fatídico! Pensem no swing como um acelerante: se a relação for boa, traz-lhe mais adrenalina (entre outras coisas); se for má, só célere será o fim (entre coisa nenhuma).
Nem tudo é branco ou preto.
Só a mente humana é propensa em classificar e inventar categorias forçando factos e comportamentos em escaninhos seguros. Mas acontece que o mundo vivo é um permanente continuo em todos os seus aspectos. Isto é valido para o comportamento sexual humano. Entender isto é o princípio para perceber as diversas realidades do sexo.
Nada é verdadeiramente certo ou completamente errado, há verdades que se provam falsas e mentiras que não o são, a inocência pode ser uma ilusão e a perversão um julgamento precipitado. Entre um e outro extremo de qualquer ideia ou conceito, existe todo um jogo de luzes e sombras, de cores de matizes diversas e de considerações intermédias que precisam (ou precisariam) ser levados em conta. Algumas pessoas optam por uma posição maniqueista, radical, só existe o preto ou o branco, e ponto final. Outros, mais comodistas e socráticos, consideram que se está mais para o preto, é preto, se está mais para o branco, é branco. E os pobres de espírito são simplesmente incapazes de imaginar que existe algo entre dois extremos. Os motivos de cada um são irrelevantes, na realidade. O facto de preferirmos não considerar uma determinada possibilidade não significa que ela não exista.
A abordagem da sociedade ao sexo é de enorme ambivalência e confusão. O marketing estimula-nos com o sexo o bom senso abafa-o, uns exploram-no, a lei proíbe, uns escondem-no, outros exibem-no em horário nobre. Esta duplicidade apenas tem o efeito de o fazer resvalar para a raia da indecência, o que em nada ajuda uma visão honesta nem abona à dignidade humana. É também por esta razão que considero a monogamia – especialmente a sentimental – como uma cândida superstição da mente humana. Porque para o homem, como para os animais a monogamia e o sexo é simplesmente uma questão biológica. Mas não. O homem faz disso uma questão da sociologia, antropologia, psicologia, economia, legislação, teologia, ética, filosofia, história, literatura e de todas as restantes ciências sociais e humanitárias... bem aventurados aqueles poucos que conseguem deste emaranhamento discernir os valores capazes de lhes propiciar uma vida feliz, sentimentalmente realizada e de bem com a sua verdadeira sexualidade - pois muitos morrerão sem nunca ter descoberto a sua.
Diz-nos, talvez, mais a forma como as pessoas se relacionam na intimidade do que qualquer psicanálise que estuda a alma humana. Ela revela-nos uma verdade singular interessante por ser frequentemente camuflada.
O ser humano procura uma única coisa na vida: o prazer.
Se se encrespou com esta opinião, é porque é uma pessoa bafejada pela religião, que atribui à palavra “prazer” um significado depreciativo. Pensou unicamente no prazer dos sentidos. Talvez se tivesse usado o termo “satisfação” se sentisse mais confortável, porque para si o homem procura a felicidade e um homem satisfeito é um homem feliz. Mas a felicidade é apenas um ideal, obra da imaginação. Tem apenas a ver com a forma como sentimos, que por seu lado depende do sucesso ou insucesso da satisfação das expectativas que cada um tem da vida. Mas nada me demonstra que o homem só se preocupa com o propósito final da suprema felicidade, para muitos, nos dias de hoje, um dia feliz, por si só já é uma bênção. Além de que, o que a si o faz feliz pode desagradar imensamente a outra pessoa. Contudo, um denominador comum existe em todos: a procura do prazer e a satisfação das suas necessidades. Essa é a força anímica que carrega a humanidade - se o homem aceitasse a dor e o sofrimento, a raça humana estaria extinta há muito tempo. Por trás de todas as virtudes que praticamos existe um prazer encoberto. E quando aceitamos a dor, é geralmente porque esperamos que isso se reverta no gozo futuro de um prazer maior.
Por isso não existe uma felicidade certa, a não ser aquela que construímos para nós à custa do nosso corpo e mente e da nossa moral. A haver uma felicidade errada, seria aquela que é construída à custa da infelicidade dos outros (coisa não tão rara quanto isso). Como tal, quando eu falo em prazer refiro-me não só aos sentidos mas também aos sentimentos. Ao prazer que se tem em trabalhar em favor da sociedade, ao prazer de agradar, ao prazer em ver os filhos crescer saudáveis, a esses e a todos os pequenos prazeres.
Não repudie a busca de prazer como se de um vício tratasse, pois essa é a expressão verdadeira e inata da natureza humana, bem mais importante que a natureza social, gerada pelo meio em que se insere."
júlio Morgado
Monday, November 13, 2006
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